A grandeza do pequeno


Jesus ia caminhando com os apóstolos, na ardente areia, quando notou que dois deles discutiam, lá na frente, quebrando o silêncio da serena caminhada, porquanto muitos pareciam orar.
Mas, eis que os lá da frente estavam a quebrar a placidez daquela romaria. Mais adiante, durante um ligeiro repouso, o Mestre acercando-se dos dois discípulos, indagou: qual o motivo de tão acesa discussão? Um deles foi logo respondendo: “discutíamos sobre qual de nós será o primeiro no Reino dos Céus?” Jesus, então, lhes disse: ”O maior será o menor no Reino dos Céus”...
É a tal coisa, todo mundo deseja ser o mais culto, o mais bonito, o mais poderoso, o mais rico, o mais elegante, o mais sábio, movido pelo sentimento de vaidade, esquecido de que o Eclesiastes já dizia, numa censura: “Vaidade, tudo é vaidade. ”
Mas não devemos esquecer, que seria do que se julga grande, se não fosse o pequeno? O mar é uma majestosa beleza, que encanta a todos, todavia é preciso lembrar que ele feito de minúsculas gotas... E a montanha, com aquela esplêndida grandeza, que seria dela se não fossem os grãos de areia que a compõem? A árvore merece respeito, no entanto, veio de uma diminuta semente. E é sustentada pelas humildes raízes, que não são vistas, nem lembradas e jamais serão elogiadas.
Que bela esta sinfonia de Anton Bruckner que ouço agora! Entretanto, foi composta com apenas sete notas. A longa caminhada é feita de pequenos passos. É suntuoso o palácio, é belo o automóvel, último modelo, no entanto sem uma simples chave não teremos acesso a eles.
Dizia Madame Roland, personagem da Revolução Francesa: ”liberdade, liberdade, quantos crimes foram praticados em teu nome!” Parodiando, poderíamos dizer: humildade, humildade, quanto desprezo do mundo para contigo.
Jesus foi sublime na sua sentença: “o maior será o menor no Reino dos Céus”. E tanta gente por aí se gabando, enchendo de vaidade. Tanta gente desejando ser o maior, o mais poderoso! Esquecida de que, muitas vezes, o maior é exatamente o pequeno...
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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