Luz, mais luz!


Luz, mais luz! Assim pediu Goethe, em seu leito, poucos momentos antes de deixar este mundo. Ora, mas luz lembra o sol. Decerto, na sua Frankfurt, naquele momento em que o grande escritor se despedia da vida terrena, dominava um rigoroso e frio inverno.
A propósito de luz e sol, andei, agora mesmo, puxando, ao acaso, dois livros para reler, e os que me caem às mãos são: “A Parahyba e seus problemas”, do nosso José Américo; e “Caminhos cheios de sol” de Peryllo Doliveira, ambos merecendo uma reedição.
Enquanto Peryllo entoa um hino ao sol, José Américo, no seu livro, entre outros problemas, cita o da seca, que continua castigando o nosso sertão. Até parece que se trata de um problema sem solução. É muito triste ver nas fotos dos jornais o gado esquálido, morrendo de sede, os açudes secando, o sertão se acabando, se desertificando. Bem disse o nosso Euclides da Cunha que o sertanejo é antes de tudo um forte. Pois, apesar da seca que o ameaça, há muitos anos, ele não arreda o pé de sua terra, que virou brasa.
E, aqui para nós, falaram tanto na possibilidade de trazer as águas do São Francisco para minorar a seca nordestina, e pronto. A obra não sai do papel e o silêncio é absoluto. Mas, o que mais admiro é a resistência do sertanejo. O diabo é que eu gosto muito de sol, de luz, de calor. Gosto de sol e gosto de mar. Daí eu achar lindo o nome de uma certa pousada, que se chama “Solemar”.
Apesar de nascer num lugar frio como o de Alagoa Nova, sou um apaixonado pelo sol. E a chuva , cronista? Sim, também gosto dela. Ler com chuva, dormir com chuva, refletir e sonhar com chuva também é belo. No entanto, na minha infância, minha mãe estava sempre dizendo: ”Saia dessa chuva, menino”. Ela nunca disse: “Saia do sol”. O sol nos leva ao divertimento, a chuva à introspecção. Meu médico, outro dia, me recomendou: “todos precisamos tomar um pequeno banho de sol diário”. Ora, mas banho lembra água...
Minha Alaurinda, já disse, como violinista, que só suporta o sol da pauta. O outro sol ela só aguenta com muito creme no rosto.
Mas deixem-me me deliciar com este “Caminho cheio de sol”, do nosso Peryllo. Todavia, o bom mesmo foi o banho de sol que tome,i ainda há pouco, aqui no meu jardim.
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
RECOMENDE AOS SEUS AMIGOS
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

0 comentários

Postar um comentário