Sonho Vienense


Pois não é que, outro dia, sonhei que estava em Viena? Desta vez, pela segunda vez. E nada de comprar passagem, nada de passaporte, nem daquelas longas esperas no aeroporto. Mas como foi isso, cronista? É que sonhei que estava, novamente, na terra de Freud, o velho psicanalista, o primeiro homem que mergulhou no nosso subconsciente e viu muita sujeira.
Ah, como bom esse reencontro com Viena. Claro que nada mudou na culta, silenciosa e musical cidade. Reencontrei a sua bela e harmoniosa arquitetura. Nada daqueles espigões querendo furar o céu. A capital da Áustria continua de uma beleza e de um clima adoráveis. E a música clássica domina-a como o ar. E as mocinhas lindas e risonhas vendendo ingressos para os concertos? Que silêncio nas suas largas avenidas. Os carros pareciam que deslizavam no asfalto. E, ao que soube, no tempo de Mozart , uma pessoa podia falar com outra, de sobrado a sobrado, embora distantes, que eram ouvidas. Pois não é que a situação continua quase a mesma?
Viena! Como gostei daquela visita ao sobrado, onde morou Freud! Com que emoção subi sua escada, monologando!
Da casa de Freud, a gente pode visitar estátuas célebres como a de Mozart e Beethoven, que moraram por muito tempo em Viena. E os seus famosos bosques, que inspiraram as famosas valsas de Strauss? Mais ainda, foi nos bosques de Viena que Beethoven compôs a famosa Sinfonia Pastoral, um hino à Natureza.
A verdade, leitor, é que Viena me ensinou muita coisa em termos de educação. Lá o silencio domina. E na temporada de eleição, a propaganda é feita através de pequenos cartazes, muito bem confeccionados. Nada de gritos, carreatas, nem da chamada poluição sonora.
Agora, para terminar a crônica, informo que deixei, no sobrado onde morou Freud, um exemplar do meu livro “O Papa e a Mulher Nua”. Que enxerimento, hein, leitor?
Espero que este sonho se realize. E vamos dançar o Danúbio Azul de Strauss, que, aqui para nós, não tem nada de azul. É um rio como os outros.
Em Viena, não vi pessoas apressadas nem estressadas. Tudo corre em ritmo de valsa. E dizem que o velho Freud fazia cooper, pelas suas silenciosas avenidas, todas as noites, embora sem short e sapato tênis...
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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