O Porto que faltou


Em crônica anterior, publicada há poucos dias, fiz referências aos “Portos da cidade”, e citei alguns deles, a exemplo de Mário Moacir Porto, Geraldo Porto, Silvio Porto e omiti um que, se não era da família portuense, tinha porto no nome. E este é, justamente, José Mário Porto, uma perfeição de advogado, cujo escritório ficava lá na Maciel Pinheiro, se não me engano. Nele, estava fazendo advocacia o advogado Paulo Maia, um homem que nasceu para aquela profissão, de que eu sempre corri, por falta de vocação.

Mas voltando a José Mário, fora a sua extraordinária cultura, estavam a ética, a postura, a elegância, e, sobretudo a cultura. José Mario sabia Direito até pelos poros. Seu escritório lá na cidade baixa era uma grande referência. Respeitadíssimo.

Lembrar que a Cidade Baixa era onde estava o grande comércio, os escritórios mais bem conceituados e onda as coisas mais importantes aconceteciam.

Tambaú estava ainda muito longe. Estou lembrando agora que era na Maciel Pinheiro que funcionava um café, muito frequentado pelos políticos, comerciantes, jornalistas e advogados. E José Mário Porto, vez por outra, marcava presença lá. O Café se situava bem defronte da Associação Comercial, prédio de excelente arquitetura, cujo projeto é de autoria do velho Hermenegildo Di Láscio.

José Mario Porto era reverenciadíssimo, seja como causídico, seja como político. Exerceu com muita eficiência a Secretaria do Interior, não me lembro em qual governo. Quando eu passei no concurso para juiz, ele foi um dos primeiros a me cumprimentar, dizendo: "A Justiça estará em boas mãos".

Mas se você quer se lembrar mais ainda de José Mário é só conversar com o seu filho, advogado atuante em nosso foro, ex-presidente da Ordem dos Advogados, e que tem o nome do pai.
Ah, os Portos da Paraiba! Como souberam honrar a nossa terra! E Giácomo Porto, que foi advogado, excelente no papo e na cultura?...

E vamos saindo da crônica, que o bonde está agora mesmo passando na rua Maciel Pinheiro com destino à Cidade Alta...
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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