Caçadores de beleza


Aproveitando o fim de semana, sobretudo neste começo de Setembro, estação que o sol mais gosta, eis que eles, esquecidos das tarefas da semana, saem em busca de beleza. Não num templo religioso, mas na própria Natureza, que não deixa de ser um templo, onde predomina o silêncio. E, como diz Maria Tereza de Calcutá, é através do silêncio que a gente encontra Deus. O barulho está no Inferno.
Sim, podemos chamá-los de caçadores de beleza. Antigamente a caçada era um esporte, um divertimento, a caçada de animais, que os príncipes adoravam. Bonito atirar contra os animais, os pássaros, vê-los caindo no chão. Os “nobres” saíam de seus luxuosos palácios, de sua ociosidade remunerada, para matar seres vivos. Que luxuoso divertimento, que bela caçada nas florestas silenciosas. E dizia-se que era esporte nobre, chique!
Mas os dois rapazes que saem, manhã cedo, em busca de beleza, de paz, de silêncio, enchendo os pulmões de oxigênio, são uns bem-aventurados. E com eles os pássaros não se assustam, continuam cantando. Com eles tudo é paz ao seu redor. Não vão com os pés, vão de bicicletas. Nada de armas, pois essa caçada não é de guerra, mas de paz.
E o que mais se cultua nessa catedral verde, que é a Natureza, como já dissemos, é o silêncio, que vira prece, que nos interioriza, que faz com que a gente se encontre consigo mesmo. Ninguém pode pensar em meio ao barulho. Só os sem vida interior, a exemplo dos animais.
A Natureza produz catarse com a Criação Divina. A Natureza limpa a nossa alma. Limpa-nos do ódio, da inveja, do egoísmo, dos sentimentos mesquinhos.
Lá se vão eles, nas suas bicicletas, nas manhãs de sol, longe da barulheira da propaganda eleitoreira, da prolífera. Lá se vão eles como verdadeiros caçadores de beleza. Lá se vão eles, certamente ouvindo em pensamento a “Sinfonia Pastoral” de Beethoven, ou as Quatro Estações, de Vivaldi.
Ah, leitor, como estamos necessitados da beleza da Natureza. Como estamos necessitados de revitalizar mais o nosso Jardim Botânico, este espaço verde, onde moram o silêncio, a paz e o próprio Deus.
Mas o passeio passou, e eis que eles voltam em suas bicicletas de duas rodas, fazendo-me inveja. Acho que vou comprar uma de três rodas para acompanhá-los... Acompanhar meu filho Germano e sua turma de ciclistas, que deixaram seus computadores, obras dos homens, pela Natureza, obra de Deus.  
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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