Quem era o maior?


Estavam os dois em plena discussão. Desejavam saber qual deles era o mais importante em nossa vida. Curioso, os dois são mudos, mas, assim mesmo, discutiam, reuniam argumentos e provas em defesa de suas bem fundamentadas teses. Fiquei por alguns momentos a observá-los em silêncio. Mas, afinal, quem eram eles? Caia das nuvens, leitor, eram as minhas mãos e meus pés que entabulavam esta conversa.
E me veio a indagação: que seria de nós, se nascêssemos sem eles? Mas voltemos à discussão dos dois. E falavam as mãos dizendo: graças a nós, o homem pode levar o alimento até a boca, escrever, assim como bater nas teclas deste computador; pode acariciar, aplaudir, tocar piano e outros instrumentos. Sem nós, uma sinfônica ficaria muda. E como ajudar os outros, sem nossa presença? Como fazer o asseio pessoal, como acariciar o nosso amor, como varrer a casa, como plantar e aguar as plantas de um jardim? Como indicar o caminho a alguém que está perdido? Como preparar a nossa comida, como dirigir um automóvel, como abraçar um amigo? As mãos são tudo ou quase tudo em nossas vidas.
Entretanto, não esqueçamos que elas podem fazer coisas boas e coisas más, pois a vida é um constante teste, pois evoluimos num mundo de provas expiações.
Mas os pés nada diziam. Depois, contra-argumentaram: sim, as mãos são todo em nossa vida. No entanto, graças a nós, os pés, é que o homem caminha. Somos conscientes de nossa humildade, todavia, sabemos que também ajudamos na direção dos veículos, seja carro, seja moto, seja uma bicicleta. E quem movimenta o pedal de um piano, ou de uma harpa para o músico tocar? Por fim, disseram os pés. Que seriam de Jesus e dos doze apóstolos, na caminhada da evangelização, cheia de poeira e de muito calor, se não fôssemos nós? E não esqueçam de que, se Pilatos lavou as mãos, foi Jesus quem lavou os pés dos discípulos. Num gesto de muito amor e muita humildade. E as mãos só fizeram escutar...
Mas a verdade é que nada é inútil. E o nosso corpo, este veículo que Deus nos deu, é a nossa casa, que devemos saudar, cuidar, conservar, e limpar todos os dias. E ainda há quem o maltrate com a má alimentação, com o fumo, com álcool, drogas e outros excessos e abusos...
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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