João Pessoa, cidade boa.


Estou fazendo justiça, a cidade é boa mesmo. Boa como Lisboa, embora sem o bacalhau. Cheia de encantos mil. Se você duvida, vá descendo o planalto do Cabo Branco, perto da estatua de Iemanjá e olhe para aquela enseada... É um trecho de deixar a gente em êxtase poético. Quer ver outro lugar maravilhoso? A praia de Manaíra, com o mar bem perto. Ah, João Pessoa, cidade boa e bela, que faz muita inveja aos paulistas, que não têm praia. Praia de Tambaú.
Mas vamos adiante. Adiante não, vamos recuar um pouco no tempo e ver como a cidade nasceu. Fazem muitos anos. Nasceu no ano de 1585, lá em baixo, onde desfila o rio Sanhauá, afluente do Paraíba. Foi ali que se deu, oficialmente, a fundação ou melhor, o nascimento da capital paraibana. Foi ali que a mão indígena apertou a mão portuguesa, num pacto de paz. A nossa capital, portanto, nasceu sob o signo da paz e da concórdia. Um soberbo acontecimento, que ocuparia as manchetes dos jornais, se estes existissem. O índio Piragibe seria entrevistado pela TV.
Fundada, a nova capital achou de subir, deixar a cidade baixa em busca da cidade alta. E nessa caminhada, foi bater no centro, onde existia uma lagoa. Uma lagoa que poderíamos chamar de espelho, onde a cidade havia de se mirar.
Mas a cidade continuou subindo em busca do mar, ainda bem longe. E teve de se aventurar pela densa floresta, que o presidente João Pessoa precisou destruir, um dia, para construir a grande avenida que iria dar acesso à decantada praia, hoje a mais importante da cidade. Assim, descoberta a praia, a cidade ficou entre o rio, o mar e uma lagoa no centro.
João Pessoa, que já se chamou Paraíba, é hoje uma gostosa cidade. Boa de clima, de verde, muito visitada pelos turistas, embora venha se tornando num inferno sonoro, com propaganda comercial e eleitoreira. Mas, um dia, ainda temos esperança que isto se acabará.
João Pessoa! Vim para cá com quatro anos de idade. E me apaixonei logo por ela. Alagoa Nova que me perdoe, não é Wills Leal? Afinal, podemos definir a nossa capital como cidade dos flamboyants, das acácias, ou uma cidade entre o rio e o mar, com uma lagoa ao centro...
Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
RECOMENDE AOS SEUS AMIGOS
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

0 comentários

Postar um comentário

Deixe o seu comentário