Hélio, meu grande Hélio


Hélio Zenaide... Pois não é que, uma noite dessas, ouvi-o falando, lá no Centro Espírita “Leopoldo Cirne”, dissertando sobre o futuro na vida da gente. E Hélio ilustrou sua fala com fatos retirados da Bíblia. Ele, que está com a visão diminuída, viu longe na sua palestra. Afinal, vivemos entre três realidades: a do passado, a do presente e a do futuro. E curioso, com exceção do presente, as outras são incógnitas. Não sabemos, como espirito, o que fomos na vida passada. E quanto ao futuro o ignoramos, completamente, o que não deixa de ser uma benção. Já imaginou se tivéssemos consciência de tudo que vai nos acontecer? Já pensou se, daqui a um minuto, eu soubesse que seria atingido por um infarto? Ou que amanhã seria atropelado por um automóvel? Se... Não, leitor, não adianta ficar horrorizado. O futuro é uma grande mistério.
Mas voltemos ao nosso Hélio, que outrora era cronista político. E depois, já maduro, a filha levou-o a um centro para assistir a uma reunião mediúnica, onde ele pôde testemunhar fatos que o levaram a mudar de ótica religiosa. Hélio se tornou espírita, dando passes e conversando , não mais com os políticos, mas com os espíritos, ora vejam só...
E Hélio como jornalista? Um primor de estilo, clareza e argúcia. Falando bem perto de mim, notei que ele não tem nenhuma ruga. A cara enxuta que me fez inveja. E que tal conversar com ele? A gente sai outro da conversa. Depois da palestra, ele cumprimentou, ligeiramente, os amigos e foi para o seu abrigo doméstico. Foi com a consciência tranqüila de mais um dever cumprido com a sua doutrina.
Foi aqui neste jornal A União, onde ele mais escreveu. E eu gostaria que ele voltasse a escrever no nosso tradicional matutino, hoje dirigido por um mestre do jornalismo, o meu amigo Fernando Moura.
Hélio Zenaide é filho do grande paraibano, escritor e pesquisador Heretiano Zenaide, autor de vários livros didáticos sobre temas ecológicos. E, aqui para nós, o governo bem que poderia reeditar as obras de Heretiano.
Mas, voltando ao nosso Hélio, que ele me perdoe esta crônica, ele que agora vive escondido na sua modéstia, na sua paz de consciência limpa.
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
RECOMENDE AOS SEUS AMIGOS
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

0 comentários

Postar um comentário