Condomínio horizontal


Vi no jornal uma foto que muito me comoveu. Ela focava dez a quinze casinhas populares, juntinhas uma das outras, como num rosário. Casinhas de porta e janela, com dois cômodos apenas, a sala de visita e a sala de jantar. Ignoro se elas estiveram no projeto de algum arquiteto. Acho que não. Tão diferentes dos elegantes edifícios que o meu filho arquiteto, Germano, projeta pela cidade...
Convém lembrar, porém, que todas essas casinhas, destinadas às comunidades de baixa renda, são iguais. O que uma tem, todas têm. Mas, como diferem dos modernos condomínios chamados verticais, que a gente só em olhar, sente tontura. Cada qual com centenas de apartamentos e dezenas de andares. Apartamentos juntos, a exemplo das casinhas populares. Mas com a inconveniência de seus moradores terem de descer e subir num elevador. As casinhas populares, casinhas dos pobres, prescindem de elevadores. Nada de subida e descida. Nada de verticularidade. tudo é horizontalidade. Dir-se-ia que todas estão de mãos dadas. Melhor ainda: todos se conhecem. Todos se sentem irmãos. Ninguem vai dizer: minha casa é melhor do que a sua. O que uma tem, já disse, todas têm.
Nos edifícios de apartamento, assim como nos bairros “chiques”, nem todos se conhecem. E nos prédios, muitos nem chegam a se falar quando se encontram no elevador. Dir-se-ia que esse negócio de solidariedade humana é mais comum entre as pessoas carentes. Estou certo que nas casinhas populares, a maioria se sente como irmãos. Seja na alegria, seja na tristeza, seja na doença, seja na saúde, seja na fofoca. E nada de eclusas, cercas eléttricas ou guaritas com vigilantes.
Mas o bom mesmo é não precisar de elevador para subir e descer. Nem de estacionamentos, pois todos não possuem carros, a não ser uma moto ou uma bicicleta.
O que estão faltando às casinhas são piscina, salão de jogos, quadras esportivas e etc. Mas nelas vale a pena sentir o vento, a brisa. Vento natural, muito diferente do vento produzido pelos condicionadores de ar dos luxuosos apartamentos.
E para concluir, lembrar que aquelas casinhas de mãos dadas não violentaram a ecologia...
Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
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