Megalomania londrina

Pois é, como eu disse, desta vez, visitei Londres sem cadeira de rodas. Pude pegar o metrô sem problema, graças ao braço do meu amigo Davi. Os metros londrinos estão sempre apinhados de gente na maior correria. A capital é povoadíssima e além do mais com seus milhares de turistas, já viu...
E que dizer daqueles típicos e graciosos ônibus com mais de um andar? Londres não é uma cidade alegre, panorâmica, aberta, como Paris. Cidade alegre, você quer ver uma? Amsterdam, cujas bicicletas dão um certo charme à cidade. E os seus canais?...
Mas deixemos Amsterdam com suas bicicletas, suas drogas permitidas, seu sexo livre, seus canais, seus geniais pintores Rembrandt e Van Gogh, e continuemos falando de Londres, com o seu frio gelado, sua chuva intermitente, turistas vindos de toda parte do mundo, suas grandezas em tudo. Ah, se o rio Tâmisa passasse bem pelo centro da cidade, assim como o Sena!
Você já viu uma estátua mais alta do que a do almirante Nelson, lá na Trafalgar Square? Ainda mais com aqueles imensos leões de bronze? E sabe qual o concerto que a gente agendou para assistir, aqui em Londres? Concerto, não, uma Missa. A Missa Solemnis de Beethoven. Uma partitura gigantesca. Mas sabe o que houve? Equivocamo-nos com o horário da grandiosa obra beethoveneana, que começou às três horas da tarde, e pensávamos que era à noite. Parece que missa cedo é para a missa do galo, que inspirou um grande conto do nosso Machado de Assis.
Ouvir a missa de Beethoven, no grande centro cultural Barbican, e logo em Londres, que adora grandezas, seria, não resta dúvida, um emocionante momento em nossas vidas. Londres é incomparável em matéria de museus e teatros. Você quer ver um museu de deixar a gente de boca aberta e olhos arregalados? Este que a gente foi visitar, com mais calma, nesta recente viagem à capital inglesa. Estamos nos referindo ao Museu Britânico com suas numerosas salas e cujo passeio vale por um ligeiro curso de antropologia, com suas múmias egípcias, seus sarcófagos, embalsamentos. que nos levam a profundas introspecções.
Esse museu, monologuei, é o retrato de Londres. E a megalomaníaca metrópole está toda eufórica com os preparativos das Olimpíadas, isto sem falar nas festividades em comemoração aos sessenta anos de reinado da Rainha.
Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras.
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