Striptease como metáfora

Striptease todo mundo sabe o que é. Um curioso espetáculo dançante em que uma mulher (e hoje em dia, até homens) vai se desfazendo de suas vestes até ficar inteiramente nua. E tudo isto encenado sob a magia da música e de muita curiosidade.

Mas esse espetáculo aqui vai valer como metáfora. Metáfora sobre a nossa vida. Sim, como a dançarina, ou o dançarino, vamos, no decorrer da existência, se desfazendo das coisas, ou melhor, repassando aos outros tudo aquilo que não podemos levar, depois que terminar o espetáculo da vida. Sim, porque, aqui para nós, a gente não leva nada para o outro mundo, a não ser a nossa consciência, que os materialistas pensam que se extingue com a morte...

Chegamos a este planeta nus, famintos e chorando. Nenhuma criança aportou aqui, sorrindo. Se tal acontecesse, todo mundo sairia de perto, ou daria uma carreira com medo. E, quando saímos, é a mesma coisa. Tudo fica para os outros. Chegamos sem nada e saímos também sem nada. Que pena!... Principalmente para os que são muito apegados às coisas materiais.

A moça da dança fica nua. Nua como chegou a este mundo. Assim como nós. A nudez poderia ser simbolizada pela consciência, única realidade que fica. O resto foi desfeito. O resto de que a gente apenas tinha posse, jamais a propriedade.

Agora, a consciência é que fica, nos aplaudindo ou nos acusando. A consciência é eterna, não fica com o corpo que foi sepultado e, sim, com o espirito que se libertou.

Portanto, nada de apego ao que se desfaz. Apego não só em relação às coisas, mas também às pessoas. Daí a sentença de Paulo, o iluminado de Damasco: ”devemos viver na vida como tudo possuindo, e nada tendo, com todos e sem ninguém. ”

Continuando com a crônica, é na consciência que está a cobrança do que fizemos de bem ou de mal. Teremos dentro de nós um inferno ou um paraíso. Um inferno decorrente do mal que fizemos, do remorso, do arrependimento, e um paraíso, fruto do bem que praticamos, e, como consequência, da paz de consciência.

Se pensarmos que tudo se extingue com a morte, onde ficaria a nossa responsabilidade existencial? Dizem as religiões tradicionais que o inferno é lugar de muito fogo. Sim, mas é o fogo do remorso. E, graças à metáfora, viva a lição do striptease!

O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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