A religião consumista

A religião do consumismo, como toda religião tradicional, tem seus suntuosos templos. E um desses templos é o moderno Shopping, que atrai numerosos fiéis. Fiéis consumistas. E se forem do sexo feminino, cada um que traga pendurada no braço uma baita bolsa. É um pecado entrar naquele templo sem a bolsa.

Mas o templo consumista é uma beleza. Tem tudo para atrair os crentes, ou melhor, os fiéis. E quanta alegria nos rostos. Só os manequins é que não esboçam um sorriso. Ainda não vi um manequim sorrindo. Todos eles são de uma seriedade, de uma tristeza, que faz pena. Os manequins são como se fossem os santos da religião consumista. São os únicos que não compram.

Mas para entrar no templo consumista é preciso pagar a taxa do estacionamento. Seria o dízimo. E o barulho? Muito menos do que em algumas religiões. Aliás, segundo disse a missionária Tereza de Calcutá, para conversar com Deus tem de ser através do silêncio. Barulho é para o inferno.

Religião consumista! Como faz a alegria de muita gente, sobretudo, dos jovens. Mas não falta a presença dos maduros em idade. No templo consumista você não vê ninguém chorando. Todos estão alegres. Não há orações, mas há compras com suas enormes filas. E haja o cartão da fé. Como ele é necessário. Quem é que entra no templo consumista sem o cartão de crédito?

Mas o bom mesmo é aquela subida ou descida nas escadas rolantes. As pessoas descendo ou subindo exibem um olhar de satisfação que comove. Nos demais templos religiosos você não vê escada rolante.

A verdade é que a gente vê muita gente sorrindo no templo consumista. E o engraçado, repito, são as bolsas penduradas no ombro das consumistas. Curioso, antigamente - que diga esse escafandrista do passado, o meu prezado amigo Carlos Pereira - as mulheres não usavam essas enormes bolsas. Por que?

Outra coisa: nos templos consumistas há espaços para a reflexão, como é o caso das livrarias.

Visitar shopping é ótimo. Desopila. Sente-se uma catarse, isto é, um bem-estar íntimo. Engraçado. Só não vejo homens carregando bolsas. Por que?

Que responda o leitor ou leitora, pois a crônica já está ultrapassando o espaço do jornal.

O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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