Envelheçamos rindo!

Ter muitos anos de existência não é castigo, e sim, prêmio. Mas há um preço para quem é longevo. O da responsabilidade. E a verdade é que todo mundo deseja ter muitos anos de vida, pois, nas festinhas de aniversário, costuma-se cantar aquela modinha que termina desejando ao aniversariante “muitos anos de vida”. Horrível se a modinha desejasse ao aniversariante poucos anos de existência.


Velhice é uma beleza quando se está em paz com a consciência, não se tem inimigos, segue-se uma religião saudável, que não fala em pecados, em um deus tirano, nem inferno eterno.


Na universidade da vida, quem tem doutorado é quem tem mais anos de existência. Porque viver mais é ter mais experiência e mais sabedoria. E sabedoria é discernimento.


Não me diga que você desejaria voltar a ser criança, pois eu tenho muita piedade dos que trocam a sabedoria pela ignorância.


Minha mãe costumava dizer que não tinha raiva da velhice e sim dos velhos. O velho é que estraga o peso dos anos, com seus preconceitos, seu apego ao passado, ao ponto de dizer numa conversa: “no meu tempo não era assim”, como se já tivesse morrido...


E, aqui para nós, o que envelhece é o corpo. Assim mesmo se o corpo for bem tratado, sem abusos e extravagâncias, tudo muito bem. E velho é quem se sente velho. Só isso. Os crepúsculos bem que lembram as madrugadas. Não me lembro, agora, do filósofo que disse que quando a morte chegasse, o encontraria aguando o seu jardim.


Vamos continuar acendendo as velinhas do bolo de aniversário , desejando ao aniversariante muitos anos de vida. Muitos anos de experiência, muitos anos de sabedoria, muitos anos de paz e amor.


Fazer plástica não é mau. Mas a melhor plástica é a do sorriso, que afasta as rugas e não custa nada. Se o leitor duvida que vá ao espelho, que não sabe mentir.


Outra coisa, o grande remédio para o peso dos anos é a ocupação A ociosidade enferruja, envelhece. Minha mãe, já bem velhinha, decifrava palavras cruzadas e lia muito. Não deixava o cérebro enferrujar. E adorava vestidos coloridos.


Quem tem razão é o mestre da ironia Millor ao dizer que a gente só envelhece porque registraram o nosso nascimento. Não fosse isso, a gente nem pensava em velhice. Vejam as crianças. Elas têm curiosidade para tudo, menos para a idade.


A maior dádiva da vida é a experiência, que amadurece as pessoas e que dá esta coisa valiosa que se chama sabedoria.


E viva Bilac que cantou:


“Não choremos jamais a mocidade!

Envelheçamos rindo! Envelheçamos

Como as árvores fortes envelhecem.

O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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