O Taxista e O Turismo

Outro dia, escrevi sobre a importância do garçom no que tange ao turismo. Eis aí um personagem imprescindível, a que não faltam talento e vivência. E no exterior há muitos deles que são estudantes de hotelaria. E vá ver que também estão de olho no título de mestrado e doutorado. A profissão exige muitas qualidades. Em suma: o garçom é, sobretudo, um artista.

Mas não é de garçom que desejo falar, já que falei muito sobre ele em crônica passada. Agora o personagem que me vem à memória, e que também muito admiro, é o taxista. Eis aí um excelente guia turístico. E mais, ninguém conhece tanto a cidade que estamos visitando quanto esse inteligente profissional. Tem deles bem humorado, conversador, risonho, alegre, por dentro de tudo que ocorre na cidade. Fala sobre o clima, sobre a política, sobre o governador, sobre presidentes, seja Dilma, Sarkozy ou Kirchner, sobre a corrupção, sobre a insegurança, custo de vida, dão dicas sobre pontos turísticos, e assim por diante.

E durante o trajeto que vai do aeroporto ao hotel, a gente fica por dentro de tudo. Mas o de que eles mais gostam de falar é do governo. Um deles, recentemente, chamou o governador de Lisboa de “banana”, e deu uma grande gargalhada. Ninguém escapa de sua língua mordaz. E com que maestria, eles exercem a profissão! Estão bem informados de tudo. Substituem muito bem os jornais, os blogs e a televisão.

É verdade que há o caladão, lembrando uma estátua na direção do carro. Mas, em geral, o taxista é um falador e muitos deles chegam até a ostentar cultura, como aquele simpático rapaz grego, que nos levou ao hotel de Atenas. O jovem era de uma simpatia admirável e informado de tudo sobre a histórica capital, que estávamos visitando pela primeira vez. Chegou a nos mostrar, lá no alto, toda iluminada, a famosa Acrópole, que ficava bem ao lado de nosso hotal. E fez referência ao famoso monumento da cultura grega. Só faltou falar sobre Sócrates.

E o que mais me encantou e surpreendeu foi quando ele disse que ia prolongar o passeio, sem nenhum acréscimo monetário para nos mostrar outras belezas da cultura grega, ali por perto, e nos ofereceu uma turnê pelo pitoresco bairro Plaka... Esqueceu-se de si para agradar aos outros. Eis aí um profissional com espírito amadorista. Aí eu monologuei: como é saudável aquele que exerce a profissão com amor! Mais do que isto: com entusiasmo.

A verdade é que este profissional do volante é uma espécie de cartão de visita de uma cidade, um guia turístico. Agora é lembrar aquela taxista, não me lembro agora em que cidade, que nos causou uma ótima impressão. Ela estava por dentro de tudo. E que desenvoltura! Uma verdadeira PhD do volante.

Taxista, garçom, camareira de hotel, como eu admiro esses profissionais anônimos! Como contribuem para o nosso conforto de turista, esses personagens do cotidiano muito humano! E como nos ensinam!...

O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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