A praga do cigarro


Como esse bicho fumacento, o cigarro, tem matado gente! Agora mesmo o nosso Lula, tão moço ainda e com tanto tempo sobrando para continuar servindo ao nosso país, está à beira da morte, no melhor hospital do Brasil, não lhe faltando nada em medicamentos e conforto. E eu sempre desconfiava daquela rouquidão. Tanto é assim que, certa vez, disse para a minha Alaurinda: esta rouquidão do nosso presidente deve ser em decorrência do fumo. Os fatos vieram depois confirmar a minha sentença.
Na minha família, quem morreu de cigarro foi o meu irmão mais velho, que não devo declinar, aqui. Vi-o no hospital, arquejante, querendo tossir sem poder, como se estivesse se afogando. E, de fato, afogou-se no vício, que deveria ser terminantemente proibido. Tive uma grande pena dele, e uma raiva danada daquele canudinho fedorento, que, hoje, tem acesso proibido em muitos lugares civilizados.
Outro que vi, no hospital, desejando tossir sem poder, tal a asfixia que o dominava, foi meu tio, jornalista José Leal, que vivia com o cigarro na boca. Até escrevendo ele soltava as baforadas do canudinho venenoso e fedorento.
E indo mais longe, que dizer do culto e inteligente Freud? Terminou seus dias com um câncer na boca. E ao que informam, o câncer fedia tanto, que as pessoas só chegavam perto dele com a mão no nariz.
O danado é que ainda hoje exibem o retrato do famoso psicólogo com o charuto na boca. Que maldade! Será que é mais uma propaganda das criminosas fábricas de cigarro, que empregam muita gente e mata muitíssimo mais?
Quer saber de uma coisa? Sou contra a permissão de filmes antigos onde os atores fumam. Sim, leitor, em matéria de cigarro sou radical.
Tanta gente morrendo de enfisema pulmonar! E o que mais dói em mim é ver um jovem fumando.Ainda bem que meus filhos não fumaram, nem fumam, apesar de verem o pai com o cigarro na boca, numa época em que fumar era um vicio elegante. E quer saber de uma coisa? Muita gente fumou naquele tempo porque nada foi revelado pela ciência que o fumo mata. Dai o Humphrey Bogart , que morreu de câncer, ter levado muita gente para aquele vício.
Mas um fato que muito me entristeceu, foi ver, num aeroporto, se não me engano em Buenos Aires ou Madrid, um lugar todo fechado só para os viciados. Olhei-o com uma pena danada... E eles olhavam para a gente com um olhar desconfiado... O espaço era completamente dominado pela fumaça...
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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