O diabo é que todo mundo vai saber, já que o cochicho virou crônica. Esta que estou escrevendo. Afinal, estou cochichando para quem? Ninguém cochicha sozinho. Estou dirigindo esta crônica ao meu amigo Ramalho Leite, atual superintendente do terceiro jornal mais antigo da América Latina que, como era de esperar, está realizando uma profícua administração, com um jornal altamente moderno, bem ilustrado e, sobretudo, rico em conteúdo cultural e informativo.

Fui à festa de posse do nosso ilustre amigo para a direção do centenário matutino, que nem lembra mais aquele oficial de gabinete do governo Pedro Gondim, magrinho, inteligente e sempre político. Ele fazia dueto com o hoje magistrado Afrânio Melo.

Mas voltemos a Ramalho Leite um apaixonado pela sua terra, a graciosa, próspera e bucólica Bananeiras, a ponto de, gracejando, me cochichar, naquela festa de posse do jornal: “Carlos, você precisa suspender suas viagens internacionais e visitar Bananeiras, hoje uma excelente referência turística”... E olhe que a sugestão ficou nos meus planos futuros.

Ora, ora, mais vamos matar logo a curiosidade do leitor e voltemos ao cochicho. Sim, meu amigo Ramalho, vou lhe sugerir duas coisas e não me queira mal por isso. A primeira sugestão é fazer voltar ao tradicional matutino as crônicas do nosso Hélio Zenaide, este inteligente e culto cronista, tão afinado com as coisas do espírito e que, apesar da diminuição da visão física, está ainda maior a sua clarividência no que tange às coisas ditas transcendentais. Hélio é merecedor e enriquece com seu talento qualquer espaço literário.

Agora a segunda sugestão: providenciar a reunião de todas as crônicas do jornalista e cronista Silvino Lopes, que tanto fez a Paraíba sorrir, graças ao seu genial humor. O teatrólogo cronista, que tive a honra de conviver, está a merecer uma homenagem da nossa terra. E graças às coleções do grande matutino, muito bem organizadas e catalogadas nos arquivos, toda a história da Paraíba está ali. Um tempo desses, visitei os arquivos lá na sede do Distrito Industrial e fiquei impressionado com sua riqueza e organização.

Bem. Mas basta desses cochichos e respeitemos o precioso tempo do nosso Ramalho Leite. Saem os cochichos e fica a sugestão. E um forte abraço deste cronista, leitor e admirador.

O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
RECOMENDE AOS SEUS AMIGOS
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

0 comentários

Postar um comentário