Gaivotas e urubus

Estou aqui numa praia da velha cidade do Porto. O mar muito azul, mas sem areia para as ondas beijarem. Acontece que a praia é muito bem cuidada. Excelente calçadão para o cooper e boa e acolhedora vegetação. Escoro-me numa de suas árvores e chego a me sentar num de seus galhos. E lá vem Alaurinda com a máquina fotográfica, querendo transformar aquele momento num eterno presente. Eternizar-se é o grande desejo do homem.

O mar defronte me faz lembrar o mar de Tambaú. O mar, a praia não. Não se vêem, aqui, aquelas barracas de lá. Nada de tirar a visão da praia. E que silêncio! As gaivotas voam e dançam, ensaiando um maravilhoso balé. E eu sinto uma grande inveja delas. Deve ser gostoso voar sobre o mar. As gaivotas se alimentam de peixe, que no mar não falta.

Mas não são somente as gaivotas que embelezam este momento de muita paz e de muita poesia. Os urubus também, que não chegam a descer à terra. Ficam apenas no vôo. E não esqueçamos de saudá-los como eficientes trabalhadores da limpeza pública.

Eu tenho uma grande admiração pelas gaivotas. Na Austrália é só o que se vêem. Mas as daqui de Porto também são belas e grandes. E os pombos? Não os vejo, aqui. Os pombos adoram praças. Em Lisboa é que eles não faltam. A visão dos pombos tira um pouco o prosaísmo das cidades. As crianças, que vivem se admirando de tudo na vida, são as primeiras a correrem atrás dos pombos. O olhar da criança é muito diferente do olhar do homem. O olhar da criança é o olhar do poeta. Um olhar que transcende. Daí dizer Platão que a filosofia nasceu da admiração, que é, justamente, o que há no olhar do filósofo.

Gaivotas, urubus, pombos, e eis que vejo, agora, um avião, que graças às suas asas, o homem voa. Um vôo pesado, movido a motores e gasolina. Tão diferente do vôo das gaivotas...

Esta praia de Porto, com suas longas calçadas, muito bem cuidadas, é, sem dúvida, uma atração turística.

Pena que não veja coqueiros, essas sentinelas verdes que lembram pontos de admiração.

Mas o bom mesmo é movimentar as pernas neste calçadão pisado por tantos turistas, lado a lado com o mar e sob um céu muito azul. E me disseram que aqui estava gelado... Nada, leitor, o que vemos é muito sol. Sol maior, que não é o da pauta, o único sol que Alaurinda gosta.

E já que falamos em pauta, em música, que tal comparar este sol a um maestro que vai regendo o concerto desta bela manhã de luz?

Gostei de Porto, cidade que jamais imaginei, um dia, visitá-la. Porto de Portugal, Porto do gostoso bacalhau.

Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras.
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