Como muda a moda...

É divertido e impressionante como a moda muda, desde os mais remotos tempos. Antigamente os homens vestiam que nem as mulheres. A túnica é que imperava. Calça comprida nem falar. Você já imaginaram Jesus de calça comprida, vestido que nem um senador ou um pastor? Evidente que não impressionaria muito. Ninguém, hoje, vê mais um padre com aquela batina preta. E quanto mais preta mais impressionava. Tudo isso hoje se acabou. Só no momento do culto é que o sacerdote deixa a calça comprida.

Olhando para trás, hábito que não é muito do meu gosto, vejo coisas que os modernos jamais imaginaram. Vamos lá: o relógio de algibeira, a bengala, o leque (hábito que deveria voltar, pois o calor está brabo), a gravata borboleta, o pijama, o linho branco irlandês, o dente de ouro, o chapéu. Hoje não se vêem homem e mulher de chapéu. Lembro-me que minha mãe falava muito numa "Joaninha Chapeleira", que tinha uma loja lá na Cidade Baixa.

A moda... Como muda! Mas se não houvesse mudança, que seria de seus inventores? São eles que saem lucrando com ela. Curioso, naquele tempo homem elegante tinha que andar de bengala, mas eu fico pensando, está aí um instrumento de defesa, sobretudo para os tempos atuais em que a nossa segurança pessoal corre perigo a todo momento.

Sou de opinião que o leque deveria voltar. É elegante ver uma dama se abanando... Não só afasta o calor, como o mau cheiro e os mosquitos...

Mas vamos adiante. E hoje, leitor, como vai a moda? As mulheres estão cada vez mais elegantes. E como cada uma se parece com a outra. Corte de cabelo igual, blusa, calça comprida, bolsa pendurada no braço. A bolsa tornou-se indispensável, e quanto maior, mais chic. E a horrorosa calça Jeans predominando. Quanto mais apertada e desbotada melhor. Não só desbotada como rasgada e desfiada. É o feio querendo ser bonito. É a moda.

Antigamente, a mulher de bom conceito usava cabelo longo, que chegava quase até aos pés. Cabelo curto era para as mundanas. Mas a moda muda. E, aqui para nós, o cabelo para a mulher é tudo. Horrível uma mulher calva.

A moda é quem manda neste mundo. E por trás disse corre muito dinheiro. E a TV, cada vez mais, estimula o modismo.

Ah, se colocássemos as duas épocas juntas e víssemos Sócrates de gravata e paletó... Que absurdo. O filósofo perderia toda a sua aura de respeitabilidade.

Ninguém deseja ficar fora de moda. E que dizer daquele garotão cheio de palavrão, com aquele bermudão ridículo, os braços e as pernas cheinhos de tatuagem? É a moda. A moda que muda, cara...

Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras.
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