A vida: dança dos contrastes

Ao que tudo indica, a chuva estava esperando que passassem as festas de fim de ano, para, então, aparecer mais cedo, para alegria das plantas e de todos aqueles que gostam do silêncio. O verão, com o seu sol incandescente, faz o homem sair de casa. O verão não gosta da reflexão. Ele adora a diversão. Mas nada de exagero. Nem sol demais, nem chuva demais. E viva o meio termo.


Eu abri os olhos para a vida na cidade de Alagoa Nova, onde predomina o frio. E houve aí um equivoco de quem me botou no mundo: eu gosto é de sol, muito sol. Entre o calor e o frio, eu fico com aquele. Contudo, não sou radical.


Mas há uma coisa que faz com eu bendiga o frio. É o silêncio. Os grandes escritores e pensadores do mundo nasceram em climas gelados. É que com o frio, a tendência é ficar em casa lendo, meditando ou dormindo.


Voltando à chuva, ninguém esperava que ela aparecesse nesse verão para amenizar o clima. As plantas adoram essa mudança. E viva o grande alimento que é a água. Que seria do mundo sem ela?...


No momento em que escrevo, sinto o teclado do computador gelado. Olho pela janela, e o céu está coberto de nuvens. Dir-se-ia que o céu está com frio. Mas não esqueçamos que a vida é uma dança dos contrários. Assim, ergamos um brinde ao sol é à chuva, ao frio e ao calor. E abaixo os extremismos.


Não esquecer que o sol traz a luz e a vida sem luz seria um inferno. A luz é sorriso. Um rosto sem luz é um rosto apagado. E foi a luz que iluminou a manjedoura humilde do Nazareno.


Eu disse no começo da crônica que a chuva favorece o silêncio e o silêncio induz à reflexão. E a reflexão traz a sabedoria. Mas, como toda regra tem exceção, aqui neste tórrido Nordeste, cuja seca já favoreceu tanta miséria, surgiram grandes escritores, a exemplo de Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, José Américo de Almeida, Gilberto Freyre, Luiz Câmara Cascudo, Augusto dos Anjos. Por lado, não tivemos filósofo. Será que os dias quentes não favorecem o pensar, o refletir?


Mas, é gostoso passear numa praia num dia de sol. Vocês já repararam como os pássaros ficam alegres quando a chuva vai embora? Não vi, nem ouvi um bem-te-vi cantando no inverno. Eles adoram saudar o sol.


E, concluindo, tudo é mau quando é exagerado. Diz bem o ditado popular: tudo demais é veneno. Então, que venha a chuva, o sol, a luz, que venha a escuridão, o calor, o frio, a distração, a reflexão, que venha o joio, que venha o trigo, menos o barulho.


E viva o nosso poder de discernimento, sobretudo, de compreensão, pois a vida é uma dança de contrastes.

O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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