Há quem goste...

É, a vida é assim, cada qual com os seus gostos. E viva o livre arbítrio. Afinal somos livres, sim, mas responsáveis. Dir-se-á que o freio da liberdade é a responsabilidade.


Mas deixemos de filosofar e vamos à crônica. Como disse acima, cada qual com os seus gostos, e há gosto pra tudo. Há quem adore futebol, esquecendo, completamente, o tempo e a vida. Adore ver a bola passando de pé em pé. Todos querem a bola, mas não para si. Nisso, há muita solidariedade. Se um jogador – e me desculpe a obviedade – pegar a bola e ficar com ela, o juiz apita. É a falta. A bola é para ser circulada, de pé a pé. E o bom mesmo é o gol, que tem tudo de orgasmo.


Há quem goste de picanha, de carne de porco, linguiça, salsicha, de uma carne de sol com macaxeira, e há os que são naturalistas, vegetarianos. Nada de carne, e sim muito arroz integral, com gersal.


Há quem adore zoada e se sinta num paraíso ouvindo forró porrnô. São aqueles que se comprazem com o barulho, e botam o som do carro naquelas alturas, sem se importar com o sossego alheio! Há quem beba um copo de cachaça e diga que é gostoso, embora faça aquela careta e estale os dedos. Há quem não gosta de ler, mas fica com os olhos pregados na TV, se deliciando com as novelas ou com o Faustão.


E o cigarro? Como é gostoso chupar e soltar fumaça naquele canudinho de papel, comprometendo a saúde, enchendo o pulmão de nicotina e alcatrão. Há os que, no trânsito, só pensam neles, não dão vez a ninguém. E haja buzinada e desrespeito à faixa destinada aos pedestres.


Há os que fazem da maledicência e da fofoca um divertimento. E há os viciados na política, fazendo dela um meio de vida e de enriquecimento ilícito.


Há os que não sabem sorrir e vivem de cara zangada, de mau humor, como se a vida estivesse fedendo. Há os que detestam crianças, chegando ao ponto de dizerem que deveriam ter invnetado um inseticida para elas. E isto eu ouvi de uma pessoa qur tem PHD...


Há os que amam e há os que odeiam, os que são incapazes de olhar um por do sol ou uma lua boiando entre nuvens. Há os que se divertem com o sofrimento dos animais, a exemplo das touradas, vaquejadas, brigas de galo, rodeios e outros esportes cruéis.


Há os que acreditam que a vida termina no túmulo e há os que ainda acreditam em satanás, no inferno eterno e que Deus adora ver seus filhos se queimando nas labaredas.


E, para terminar, há um cronista como este, que nada tem a ver com o jeito que os outros são.

O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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