Muitos anos de vida!

Ter muitos anos de existência não é castigo e, sim, prêmio, ou melhor, benção. Mas há um preço para quem é longevo. O preço da responsabilidade. Mas a verdade é que todo mundo deseja ter muitos anos de vida. Por que, cronista? Ora, ora, nas festinhas de aniversário, não se costuma cantar aquela modinha que termina desejando ao aniversariante muitos anos de vida? Horrível se a modinha desejasse ao aniversariante poucos anos de existência.


Velhice é uma beleza quando se está em paz com a consciência, quando não se tem inimigos, quando se segue uma religião saudável, que não fala em pecados, nem inferno eterno...


Na universidade da vida, quem tem mestrado e doutorado é aquele que tem mais anos de existência. E por que? Porque viver mais é ter mais experiência, e ter mais experiência é ter mais sabedoria, e ter sabedoria é saber discernir.


Não me diga que você desejava ser criança ou adolescente. Caso afirmativo, perdoe-me a franqueza. Você é uma criatura infeliz. Aqui para nós, eu tenho muita piedade dos que trocam a sabedoria pela ignorância.


Eu, quando era pequeno, só queria estar junto dos mais velhos. E muitas vezes os mais adiantados em idade, costumavam me expulsar, dizendo: "a conversa aqui é para gente grande". E eu só queria ser gente grande, mais velha do que eu. As conversas dos garotos de minha idade eram muito bobas.


Velhice que não seja sadia é lamentável, assim como a infância e a juventude. Minha mãe costumava dizer que não tinha raiva da velhice e sim dos velhos. O velho é que estraga o peso dos anos, com seus preconceitos, seu apego ao passado, ao ponto de dizer numa conversa: "no meu tempo não era assim", como se já tivesse morrido...


Mas, o que envelhece mesmo é o corpo. Assim mesmo se o corpo for bem tratado, sem abusos, sem extravagâncias, tudo anda bem.


Dizia aquele mendigo filósofo da peça "Deus lhe pague", de Juraci Camargo, que a velhice é ruim para os animais irracionais e não para um ser inteligente.


E, aqui para nós, velho é quem se sente velho. Só isso. Os crepúsculos bem que lembram as madrugadas.

Não me lembro, agora, qual filósofo disse que quando a morte chegasse, o encontraria aguando o seu jardim.


Vamos continuar acendendo as velinhas do bolo de aniversário , desejando muitos anos de vida, de experiência, muitos anos de sabedoria, muitos anos de paz e amor.


E para finalizar, o grande remédio para o peso dos anos é a ocupação. A ociosidade enferruja, envelhece. Minha mãe, já bem velhinha, decifrava palavras cruzadas e lia muito. Não deixava o cérebro enferrujar. E adorava vestidos coloridos. E fico, aqui, leitor, desejando-lhe muitos anos de vida.

Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras.
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