Leiam o meu Bazar!

(colaboração de Germano Romero)

Nos destinos a mim reservados, nesta vida, não estavam previstos filhos meus. Dizem que a realização de um ser humano só alcança a plenitude após três feitos: plantar uma árvore, ter um filho e publicar um livro. Até agora, só me lembro de ter satisfeito apenas a primeira, se é que uma planta qualquer, ou um coqueiro pode substituir uma árvore...


Mas será que o dito popular não poderia ter se estendido a outros feitos, igualmente nobres e cheios de plenitude como, por exemplo, inventar alguma coisa útil e engenhosa? Imagine se não foram homens realizados os inventores do telefone, da energia elétrica, do computador, da roda... E as grandes criações artísticas, literárias, musicais?... Beethoven não teve filhos, não lançou livro, e não sei se plantou árvore, mas sua Nona Sinfonia vale mais que uma biblioteca inteira, um parque repleto de árvores ou uma creche cheinha de bebês... Chopin, Van Gogh e Leonardo da Vinci também não tiveram filhos, mas se perpetuaram e encantarão a humanidade com suas obras enquanto houver vida no planeta. Também não sei se plantaram árvores, nem se publicaram livros.


Criações e realizações à parte, a novidade a que quero chegar, que já não é segredo, é que publiquei um livro, já plantei um coqueiro, um pé de arruda, e outro de lichia, que não nasceu... O livro já foi chamado de “neto” pelo cronista Carlos Romero, a quem devo a inclinação e a facilidade para a escrita. E o título, Bazar de Sonhos, reflete o quanto de imaginação e desejos existem nele. Há o sonho do silêncio, absoluto, em que o espelho interior reflete-nos a consciência sem máscaras, e do qual muita gente corre com medo.


Também falo do sonho da gostosa solidão compartilhada, aquela que tem a companhia da paz, do amor, do sossego, da boa música, do amigo calado e da leitura saudável. Mas no Bazar também há o sonho mau, como o pesadelo de saber que ainda hoje existem impunes vaquejadas a maltratar animais pacíficos e indefesos, para o deleite sádico e leviano de seres insensíveis, e de gente que gosta de ver pássaros em gaiola. O pesadelo de enfrentar a impunidade dos crimes de trânsito, dos que perturbam o sossego alheio com poluição sonora, impondo sem respeito algum o pior tipo de zoada, um arremedo de forró que já chamam até de “pornô”...


Mas, fazer o quê? Ainda que de sonhos, o livro é um bazar... e como todo bazar, fala da diversidade humana, a que devemos respeitar, como se respeita a vida, que só é bela porque é múltipla e colorida. Leiam meu bazar!

Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
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