Assim teríamos um ano melhor

(Colaboração de Germano Romero)


O caráter festivo dado à última noite do ano, com fogos, reveillons, champagne e muito barulho é compreensível à luz da natureza humana. Aristóteles bem poderia ter acrescentado à sua máxima que o homem possui índole também festiva. E por isso, haja Natal, Ano Novo, Carnaval, Páscoa, São João, São Pedro, festa que não acaba mais.


Mal saímos de uma levada de confraternizações natalinas, movidos mais pelo cunho regalório do que religioso, mormente pelo caráter consumista que a mídia impõe a essas datas, acrescentando-se-lhes os dias da mãe, do pai, da criança, etc, eis que amanhã já se comemorará pomposamente a "morte" de 2011...


Nada contra festas, muito menos contra feriados, que são ótimos e justos sobretudo para quem trabalha demais. Mas, convenhamos, que há um certo exagero nas comemorações de Ano Novo quando se exalta algo tão pueril, meramente convencional, apenas numérico. E como é interessante perceber, logo na primeira manhã do ano, que nada mudou e que a Natureza é completamente indiferente a essa "passagem"...


Afinal, seria tão importante assim comemorar com toneladas de fogos, comes e bebes a insípida e rotineira volta de 365 dias que a Terra dá há bilhões de anos em torno do Sol? Considerando os tempos infinitos da criação divina, o giro de 24 horas que o planeta faz em torno de si não seria igualmente merecedor de reverência, até por nos proporcionar espetáculos de alvoradas e crepúsculos visualmente inéditos? Assim como as noites de lua cheia, que acontecem a cada 28 dias, cheias de magia e beleza, e que passam desapercebidas por muitos?...


Todavia, a virada do ano traz a vantagem de despertar em alguns o impulso para examinar a consciência e a vontade de melhorar. Pelo menos disso pode-se tirar algo de útil, quando há propósitos sinceros e bem intencionados.


Assim, que a noite de amanhã não se limite à comemoração leviana, cheia de exageros e ostentação, por uma mudança numérica meramente convencional, e que nada acrescenta às nossas vidas. A não ser que venha imbuída dos objetivos de evoluir para uma conduta mais rica em virtudes, com mais compreensão e respeito ao próximo, menos preconceito e discriminação.


Que o ínfimo acréscimo de um ano de vida aos bilhões que a Terra já tem possa conferir sentimentos voltados ao bem, sobretudo aos políticos que se lançarão candidatos em 2012. Para que eles se lembrem mais do povo do que de si próprios, e deixem de infernizar o cotidiano da cidade com as altas doses de barulho e perturbação do sossego dos execráveis "carros de som" de suas campanhas. Assim teríamos um ano melhor...

O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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