Receita do bom viver

Se você está estressado, se está com inapetência para a vida, se se sente mal humorado, que tal uma boa receita? De início lhe digo que os remédios aqui indicados não vão para a boca, e sim, para os ouvidos. E nas farmácias não serão encontrados. A receita que sugiro e que me tem feito muito bem é uma receita musical. E quando falo de música, é evidente que estou me referindo à musica clássica ou erudita.


Então, vamos aos remédios. O primeiro deles, que deve ser tomado pela manhã, logo ao despertar, é a Alla Turca, de Mozart, uma partitura que eleva o ânimo da gente. Acho que Mozart estava de bem com a vida, quando compôs aquela música para piano. Mas também você pode ouvir um concerto de Vivaldi ou a “Valsa das Flores” de Tchaikowsky. Que belo bailado!


Mas a vida não é apenas alegria. Há momentos para a reflexão. Então, ouçamos a Sinfonia nº 5 de Beethoven, espécie de autobiografia do mestre de Bonn. A sinfonia narra a luta do grande surdo contra o destino.


Outra página que eleva e enleva o seu espírito é o Adágio da Nona Sinfonia, também do gênio alemão. Ouvindo-o, parece que você está diante de Deus.


Mas se você prefere dar um passeio num bosque, num jardim botânico, ouça a Sinfonia Pastoral de Beethoven e se deslumbre com o canto dos pássaros, a visão de um lago. Você toma um verdadeiro banho de paz. Também você poderá ouvir a Sonata Aurora, do mesmo compositor, inspirada no canto da cotovia...

A música, a boa música, é uma verdadeira terapia. Mais do que isto, ela faz você transcender.


Para um momento de profunda meditação, temos a Sinfonia nº 5 de Mahler. Aí você transcende ou chora. E que tal uma música de muita paz? Uma música da boa tristeza, que faz você sair, por alguns momentos, deste planeta de expiações e provas. Sugiro o “Réquiem” de Fauré. Confesso que já chorei de emoção ouvindo esta partitura. Minha alma parecia tomar um banho de lágrimas.


Mas vamos adiante. Que tal se divertir um pouco escutando a “Dança Macabra”, de Saint Saens, vendo os esqueletos saindo das catacumbas para um balè à luz do luar? Afinal os defuntos precisam se divertir, segundo a ótica do compositor.


E se você quiser uma música que expresse toda a beleza nativa do nosso país, eu indico a Bachianna nº 5 do nosso Villa Lobos, na qual ele conseguiu colocar a floresta do Amazonas na partitura. Lembrar que o nosso Villa é muito conhecido e respeitado nos países do primeiro mundo.


Musicoterapia! Eis a solução para tristeza, depressão, melancolia, e mau humor. Difícil a música clássica? Que nada. Basta ter uma alma sensível e ouvi-la com o coração.

Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
RECOMENDE AOS SEUS AMIGOS
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

0 comentários

Postar um comentário

Deixe o seu comentário