O tempo à toa...

Quem mata um ser humano é homicida. E quem mata o tempo? Tempo não é para se matar e sim para se viver. E viver bem. Ai de quem não aproveita o tempo, deixando-o passar, inutilmente!


Houve quem definisse o tempo como se fosse a terra. Se você nada plantou nela, dela nada nascerá. Que responsabilidade a sua, hein, leitor? A terra se torna inútil por sua culpa. Assim é o tempo. Bem-aventurado aquele que aproveita bem os minutos e as horas que passam, silenciosas e imperceptíveis. A gente olha para os ponteiros do relógio e tem a impressão de que eles estão parados. É a invisibilidade do tempo!


Ora, ora, vejam aqui os meus netos, que não vai muito longe, estavam dormindo no ventre materno, num gostoso e silencioso sono! E agora o que vejo? O menino falando grosso, de buço, e passando grande parte do tempo no computador e me perguntando se eu já tenho um blog? Mais ainda: que fez um bonito gol na pelada do condomínio, onde mora. E a neta? É outra que passa grande parte do tempo digitando, pergunta se eu já recebi o seu e-mail e qual a minha opinião sobre as recentes sondagens no planeta Marte.


A verdade é que eles não botam o tempo fora. Quando não estão nos livros, estão plugados na Internet. E, quando não estão nem nos livros, nem no computador, estão nas livrarias do Shopping Manaíra, com os pais e seu infalível cartão de crédito. A TV para ambos não existe. E eu fico contente em saber que os garotos não deixam o tempo passar em vão. Eles não matam o tempo. Eles vivem o tempo.


Eu tenho muita pena daqueles que deixam o tempo passar em vão. E o pior é que a gente não sabe o que vem pela frente. Será que amanhã... ah, a incógnita da vida. Certíssimo o ditado que diz: "Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje".


Acho que a mais dramática e perturbadora pergunta que nos fazem quando sairmos deste mundo é: o que fizeste do teu tempo?


Admirável é o homem ocupado. Ocupado no bem, no trabalho. Uma ocupação que não seja egoísta, que o transforme numa máquina. O diabo é que o tempo passa, silencioso, invisível, imperceptível. E é preciso estar atento à sua passagem. Ah a busca e a dor do tempo perdido, hein mestre Proust?


Lembre-se que o tempo não deve ser empregado apenas para si. Madre Tereza de Calcutá levou grande parte de seu tempo limpando leprosos. Será que usou o tempo em vão?


E termino a crônica com aquele poema do meu poeta predileto, Manuel Bandeira, intitulado

"Andorinha":

"Andorinha lá fora está dizendo:

"Passei o dia à toa, à toa".

Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!

Passei a vida à toa, à toa"...

Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
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Um comentário:

  1. Isso é que é uma crônica!!!!! Na essência da forma e da palavra.

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