O abacate e o computador

Estou em frente ao computador, com um caroço de abacate, que coloquei, aqui, como uma homenagem à Natureza. E isto depois de saborear um creme da fruta. Por sinal, uma delícia. E empoleira-se na minha cabeça a seguinte indagação: por que há frutas com tantos caroços, a exemplo do mamão e melancia, e outras com apenas um, como do jambo, da manga e do abacate? E fruta sem semente, como é o caso da banana, do abacaxi e do caqui? Eis uma pergunta que eu gostaria de formular a Deus, o criador de todas as coisas.


Fico, assim, com as mãos no teclado do computador - invenção do homem - e com os olhos na semente do abacate - invenção de Deus. E eis a vida com os seus mistérios.


Mas vamos ao caroço, ou melhor, à semente. O que é que há dentro dela? Ora, leitor, uma árvore inteira em miniatura. Um projeto de árvore, na verdade. Mas que coisa extraordinária! Acontece que para a semente se transformar em pé de abacate, é preciso jogá-la na terra, sepultando-a. Tão fácil, não leitor? Depois de um tempo, eis que a semente vai virando árvore. Ao invés de um caroço de abacate, eu vou ter uma frondosa árvore, cheia da fruta. Que milagre! Milagre, não, na Natureza não existe milagres, mas, sim, leis.


Se a semente não morrer, não vive. Dir-se-ia que a vida nasce da morte. E viva a ressurreição! A grande lei da vida. Tudo nasce, tudo morre, tudo renasce e viva a lei da evolução.


Mas agora me veio uma grande pena da semente. Por que deixá-la como enfeite se ela tem outra missão. Sem a terra, sem o adubo, sem a minhoca, sem a água, ela não se transforma em árvore cheia de abacates.


Vou, já, já, enterrá-la no quintal. Questão de consciência, Ou melhor, vou agora mesma à casa de meu filho primogênito, reunir meus dois netos e plantar esta semente. E foi o que fiz.


Mas este computador, frio, metálico, em que digito minhas crônicas, em que difere da semente de abacate? Ora, ora, é que na semente, dorme uma árvore. Mais do que isto. Na semente há vida, o que não ocorre com este meu computador, invenção de que o homem tanto se orgulha.


Conclusão: Deus cria a vida. O homem inventa o revólver e a bomba atômica, que matam a vida.


E por falar em Deus, lembrar que Jesus ensinava que "éramos deuses". Sim, Deus está dentro de nós, como a árvore do abacate está na semente.


Para comemorar o término da crônica, vou já, já, saborear um outra mousse de abacate, graças ao liqüidificador fabricado pelo homem...

Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
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