Ah, os prazeres!

Sim, leitor, que seria da vida sem os prazeres? É o prazer a grande atração da vida. Fez bem o filósofo Epicuro em colocar o prazer como a grande temática de sua filosofia.


Um dos maiores é, sem dúvida, o sexual. E o orgasmo é uma modalidade de êxtase. Êxtase da carne, mas êxtase.


Mas vamos aos outros prazeres, que são muitos. A Natureza sabe o que faz. Sem o prazer, não haveria a vida. Agora mesmo, que prazer estar diante deste computador, este grande agente da comunicação. E haverá maior prazer do que a comunicação? Vida isolada, vida incompleta. Estamos a todo momento procurando o outro, aquele outro que Jesus ensinou a que o amássemos como a nós mesmos. Que lição difícil!


A solidão, o isolamento são bons só por algum tempo. Ninguém é feliz, sozinho. A todo momento estamos com um celular no ouvido buscando a presença do outro.


Prazeres materiais, prazeres espirituais. Prazer de saborear uma gostosa manga rosa! Se as frutas não fossem saborosas. quem as procuraria?


O prazer de uma boa leitura, de uma boa conversa, de um bom sono, de uma apetitosa refeição, de uma saborosa bebida, de uma boa notícia, do cumprimento de um dever, de um bom trabalho. E quanto maior a carência, maior o prazer. A sede quanto maior, mais prazerosa se torna a água que a mata. E que dizer do prazer de uma boa caminhada, da presença da pessoa querida, de um passeio à beira-mar, de um reencontro?


Há prazeres de várias espécies. Há prazer até em chupar e soprar a fumaça de um cigarro, envenenando o organismo. Prazer em beber uma cachaça, dessas que queimam que só fogo.


Há outros tipos de prazer de natureza moral. O prazer de perdoar, o prazer de se reconciliar com alguém, o prazer da vingança, o prazer do orgulho, do poder, o prazer de humilhar alguém, o prazer de comprar um carro novo, de isolar-se numa praia, não por egoísmo, mas como terapia.


Há o prazer de uma viagem, conhecer novas culturas, novas geografias, novos povos, novos costumes, novas experiências.


O prazer é a grande atração da vida. Se não houvesse o prazer, a vida desapareceria. E o prazer estético? O prazer de ouvir uma boa música, de ver um belo quadro, de ministrar e ouvir uma bela aula?

Mas há uma modalidade de prazer, que muitos não provam. O prazer de fazer o bem, de ajudar alguém, de esquecer mágoas. O prazer de amar.

Como tudo na vida tem o seu contrário, o contrário do prazer é a dor, o sofrimento. Mas, como eles ensinam! E que prazer quando saímos de uma longa enfermidade! O prazer da convalescência... Viva o prazer da sabedoria, da maturidade consciente, da viva bem vivida, sem remorsos, sem arrependimentos.

E viva o maior de todos os prazeres: o prazer da consciência tranquila!
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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2 comentários:

  1. Ilza e Leopoldo Nogueira14/11/11 19:12

    Caro Carlos:
    Queremos parabenizar-lhe pela crônica de hoje ("Ah! Os Prazeres"), que reflete o ser humano especialmente dotado de sensibilidade e inteligência que é este cronista veterano. Aliás, deveríamos,mais ainda, parabenizar o Correio da Paraíba, pelo privilégio de publicar uma miniatura literária tão fascinante.
    Gratos por ter-nos proporcionado um grande prazer na leitura desta manhã,
    enviamos um afetuoso abraço.

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  2. Estimado casal Ilza e Leopoldo,
    Confesso que fico meio acanhado pelo lúcido pronunciamento de vocês a respeito de minha crônica sobre os prazeres. E, aqui para nós, haverá prazer maior do que saber que vocês gostaram do meu texto? Isto faz aumentar minha responsabilidade, pois vocês são pessoas de alto gabarito. Germano, que é um grande estímulo para mim, tem a mais alta estima por vocês. Certa vez, disse que assistir a uma aula da doutora Ilza é um privilégio de poucos...
    Agradeço-lhes e fico muito contente em saber que vocês me lêem.
    Um fraternal abraço do
    Carlos

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