A responsabilidade de viver

Viver é uma coisa muito séria. Digo isto porque muita gente não leva a vida a sério. Ou melhor, não sabe o sentido da existência. E muitos fazem questão de esquecer esse significativo problema. Não querem saber porque estão no mundo.


Agora imaginemos que você, em dado momento, acordasse dentro de um navio. Evidente que as primeiras perguntas que se empolariam na sua cabeça seriam: onde estou, o que estou fazendo aqui, e para onde vou? Sem dúvida que esta seria sua primeira reação. Ou será que ficaria indiferente?


Ora, ora, estamos, há muito tempo, dentro, não de um navio, mas de um planeta redondo que gira em torno do sol numa velocidade incrível, solto na imensidão cósmica. E que dele sairemos, um dia, com muita tristeza, porquanto a vida é coisa muito gostosa. É verdade que há os suicidas, uma espécie de fugitivos não satisfeitos com a prisão em que se encontram.


Um certo professor, chamado Francisque Sarcey de uma universidade de Paris, certa vez, saiu pelos corredores da faculdade com o seguinte monólogo: "Estou na Terra. Ignoro, absolutamente, como aqui vim ter e como aqui fui lançado. Não ignoro menos como sairei daqui e o que de mim quando daqui sair". A citação é do filósofo Leon Denis.


E muitos vão tocando a vida, fugindo da dramática indagação. Afinal, depois da vida, tudo vira pó? Que coisa! De que adiantou trabalhar tanto, lutar tanto, estudar tanto, sofrer tanto? E onde está a responsabilidade de viver? Afinal, o que vem a ser responsabilidade? Evidente que responsabilidade significa responder a uma obrigação. E a quem vamos responder pelos nossos atos, pela nossa vida, pelo bem ou pelo mal que fizemos? Muitos acham que se eternizam com uma estátua em praça pública. Mas que adianta essa glória se não há mais consciência? E por que criaram a vida, o mundo, se tudo se tudo se extingue, se tudo termina dormindo no paraíso do Nada?


Ora, ora, me perdoe o leitor essas considerações. Mas se as faço é em homenagem a você, que é uma pessoa que pensa, que indaga, muito diferente daquele vira-lata que vai ali atrás de um saco, já que não há mais lata.


Pense bem no que escrevi. A vida tem um sentido ou tudo esbarra no nada? Se tudo termina no nada, onde fica a nossa responsabilidade de viver?

Mas se você acredita na existência de uma inteligência suprema, criadora de todas as coisas a quem vamos prestar conta dos nossos atos, a coisa muda.

Se não há responsabilidade de viver, de que adianta fazer o bem ou o mal? De que adianta ser um Hitler ou um Francisco de Assis?

E fico por aqui.

E viva a responsabilidade de viver. Não esquecer que somos livres em semear, mas obrigados a colher o que plantamos.


O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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