Minhas Duas Mulheres

Sim... essas duas bem que merecem uma crônica, pois a minha vida seria horrível sem a sua companhia.

E o que mais me comove é a união de ambas. Nunca as vi em conflito. Estão sempre juntas, cada uma ajudando a outra. Não têm orgulho, não têm ciúmes. Pelo contrário, são muito amigas e humildes. Trabalhadoras, dedicadas. Não escolhem ofício. Estão sempre dispostas a me ajudar, sem reclamação. Ah! Como adoro essas duas mulheres de minha vida! E, vez por outra, as beijo com muito amor.

Graças a elas eu me relaciono melhor com as pessoas. Muitas vezes eu fico calado e elas falam por mim, através dos gestos. E como falam! Outra coisa: elas estão sempre aplaudindo os bons gestos.

Minhas duas mulheres são passivas, incapazes de uma exigência, de uma rebeldia. Nunca as vi cansadas, exaustas, ociosas. E isto, às vezes, me enche de remorso. Gostaria de dar-lhes repouso. Acontece que tudo o que faço é com sua ajuda. Elas só largam o serviço quando estou em repouso. Durmo com ambas. Basta eu me levantar para as atividades diárias para que elas venham logo em meu auxílio, solícitas, alegres, prestimosas.

Se estou andando, elas andam comigo. Se estou me alimentando, elas me levam o alimento e o remédio à boca. Se estou enraivecido, elas também se enraivecem. Elas são uma presença constante em minha vida. Penso, às vezes, em sua homenagem e numa prova de gratidão, fotografá-las numa moldura. Elas bem que mereciam tal homenagem, que seria uma espécie de culto.

Lições de humildade, lições de trabalho, lições de fraternidade, lições de amor, de carinho, lições de limpeza, lições de obediência, lições de silêncio, lições de toda a sorte elas estão sempre a me dar.

Sei que se eu quisesse, elas fariam tudo que lhes pedisse. Longe de mim, porém, exigir-lhes tal sacrifício. Jamais eu colocaria uma arma em suas mãos. Jamais eu ofenderia alguém com sua cumplicidade. Não, isso jamais. Desejo-as dóceis, carinhosas, pacientes, fiéis. Desejo-as me auxiliando na prática do bem. Desejo-as como instrumentos de paz, de amor e de amizade. Desejo-as colhendo flores, indicando caminhos, cumprimentando amigos, apontando belezas, ajudando os outros em suas dificuldades.

Como eu venero essas duas mulheres de minha vida! Neste momento em que estou frente ao computador, são elas que me ajudam a digitar a crônica. E, certamente, ignoram que a crônica é endereçada a elas.

Duas mulheres de minha vida! Duas santas... são elas: minhas MÃOS abençoadas!

Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
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