A Dança das Árvores

As árvores dançam? Não há dúvida que sim. Dançam a dança do silêncio. Dançam misticamente. Dançam sem sair do lugar. Dançam não apenas através de sua folhagem, mas de seus troncos e galhos, que se abraçam, lembrando corpos em movimento, com suas curvas, cheias de sinuosidade.

Para que você assista à dança das árvores é necessário que as veja não apenas por meio dos olhos, mas sobretudo, através da imaginação. Tudo vai depender da sua maneira de observar. Daí, então, dá-se um fenômeno, já proclamado pela Física moderna: “objeto e observador se confundem”.

Se você é artista, verá beleza em tudo. Se teus olhos forem bons, todo o teu corpo se iluminará. Quem anda na luz não enxerga a escuridão.

Engana-se quem pensa que os artistas são fabricantes. Na verdade, eles são criadores. Os fabricantes não criam a vida. O fabricante é humano. O artista é divino.

O fabricante fabrica flores artificiais, flores sem vida, sem seiva, frias como cadáveres. Mas as flores naturais, que o homem jamais criará, são como as obras de arte: possuem vida. A Nona Sinfonia de Beethoven não é o produto de uma fábrica, mas de um gênio. E o artista é Deus em forma humana. A Mona Lisa não foi fabricada e sim criada. Daí a força de seu sorriso. As árvores naturais dançam. Tchaikowsky compôs a DANÇA DAS FLORES, Ponchielli A DANÇA DAS HORAS. Eu gostaria de compor a DANÇA DAS ÁRVORES, transformando uma floresta num fantasmagórico e soberbo teatro.

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Ilustração: The Mulberry Tree (1889) - Vincent Van Gogh

Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
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