Vida que Sempre Muda

Na minha caminhada de ontem, encontrei uma grande novidade. Não só uma novidade, mas uma saudável e agradável companhia invisível, que me fez pensar em muita coisa naquele passeio matinal. Não pensem que foi um espírito, que também nos faz companhia e é invisível. A novidade a que me refiro foi a presença do vento.

Ele assanhou os cabelos das pessoas, mexeu com as árvores, movimentou embarcações, varreu o chão, fez as folhas das árvores dançarem, expulsou tristezas e acariciou o nosso rosto.

Inimigo da rotina, da mesmice, da ociosidade, do conservadorismo inócuo, ele está sempre nos advertindo
que é preciso mudar sempre, que a vida não pode ficar parada, porque tudo que pára cria ferrugem, mofo e morre. É ele que anima a paisagem, que transporta a vida, a vida que está imobilizada no pólen das plantas. Onde ele está, tudo se renova, tudo muda.

Liberdade, entusiasmo, alegria, renovação, eis os ensimentos que o vento nos dava. Até as folhas mortas no asfalto criaram vida, saíram dançando pela avenida afora. Até as nuvens ensaiaram um balé na passarela azul do firmamento. Até os pássaros voaram mais leves. Mas será que todos os que caminhavam, ontem, deram pela sua presença? Vivemos tão mergulhados nos nossos problemas, nas nossas mesquinhas e prosaicas ocupações e preocupações, que esquecemos ou ignoramos a grande lição das coisas que nos rodeiam. A lição muda da vida que sempre muda...
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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Um comentário:

  1. gustavo magalhaes (pe-br)20/6/08 22:45

    ilustre cronista blogueiro. vc eh um van gogh que pinta com palavras... ate o seu vento tem cor. parabens

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