Nas Asas da Imaginação

Os homens não têm asas, mas têm a imaginação. E haverá dom mais divino do que esse? A imaginação é aquele tapete mágico que nos conduz a toda parte. É aquela varinha de condão das histórias infantis que tudo transfigura. Graças a ela, podemos viver situações jamais sonhadas.

A imaginação é ainda um excelente veículo de viagem no tempo. Com ela, você visita o passado e idealiza o futuro. Agora mesmo, se eu desejar, posso ver Sócrates, de túnica e pés descalços, conversando numa praça de Atenas, ensinando a filosofia. Posso ver Galileu jurando, com a Bíblia na mão, por imposição da Igreja, que é mentira que a Terra gira em torno do sol.

Posso ver Joana D'Arc sendo tragada pelas chamas da Inquisição, sem um grito, um lamento, uma revolta. Posso contemplar Napoleão no exílio de Santa Helena, sofrendo de solidão.

Por força da imaginação, posso ver a tomada da Bastilha; Victor Hugo escrevendo Os Miseráveis; Leonardo da Vinci pintando a Monalisa; Beethoven caminhando numa floresta e ouvindo o canto da Natureza, para depois sentar-se à beira de um lago e começar a compor a partitura da sua ecológica Sinfonia Pastoral. Posso ver Santos Dummont, sob os aplausos do povo francês, contornando a Torre Eiffel , numa certa manhã em Paris.

Um homem sem imaginação é um pássaro de asas mutiladas. Imaginação é sonho, é transcendência, é transfiguração. Bem disse o físico e místico Albert Einstein: "Eu penso 99 vezes, e nada descubro; deixo de pensar, mergulho num grande silêncio - e a verdade me é revelada."

A imaginação não é apenas dos poetas. Ela poder ser exercitada por todos aqueles que conseguem transcender, pular o círculo de giz da existência...

Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras.
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Um comentário:

  1. Coriolano Azevedo15/6/08 07:37

    Excelentes suas divagações... imaginação...me fizeram transpor a risca de giz. Imaginar Joanna sendo queimada não é tão prazeroso como supor Beethoven vagando pelos bosques ao redor de Bonn, criando a "Pastoral", ouvindo e juntando o canto da cotovia junto na sonata "Aurora", e à beira do Reno compondo a "Sonata ao Luar" Mas, imaginação ninguém controla, corre solta, tal qual a própria vida.
    Parabéns!

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