Qual é o Problema?

Quem não quiser problema, nasce morto. Mas nascer morto já é um problema. Não para o morto, mas para os que o esperavam vivo. A vida é feita de problemas. Engana-se aquele que diz: "agora eu não quero mais problema”. Não ter problemas já é um problema. A vida - me desculpe o leitor o lugar comum - é uma corrida de obstáculos. E os obstáculos são os problemas. São eles que nos desafiam pedindo que os vençamos. E o que é a vida senão um constante desafio? Ela está bem simbolizada na imagem daquela esfinge que ficava numa encruzilhada do caminho propondo aos viajantes o seguinte enigma: "qual o animal que pela manhã anda de quatro pés, à tarde, de dois, e à noite de três?" O leitor sabe qual é? Se não sabe, fique certo de que seria devorado pela esfinge, aquele terrível e mitológico animal.

Pois bem, a vida é essa esfinge. A todo momento ela está nos testando, nos experimentando. Viver é, portanto, solucionar problemas de toda ordem. Para esse desafio, há três atitudes a tomar: enfrentá-lo; fugir; ou nada fazer, caindo na indiferença, na passividade. A melhor atitude, não resta dúvida, é lutar. Fugir é para os covardes. Nada fazer é para os indolentes, os preguiçosos, os indiferentes.

Cada vez que você resolve um problema, você se torna mais fortalecido, melhor preparado para novas lutas. Quando você se encontrar com um amigo, de sua intimidade, faça a seguinte pergunta: "qual é o seu problema?" Duvido que ele diga que não tem problema. Tem e muitos. Problema de falta de dinheiro, de falta de amor, de falta de companhia, de falta de saúde, de falta... Ah, são tantas as carências!

E se você, aparentemente, não tem mais problemas, se já tem um bom salário, se está bem de saúde, se já tem estabilidade financeira, se já é bem casado, se já se aposentou, se possui uma boa casa, um belo automóvel, que tal cuidar dos problemas dos outros? Estamos aqui no mundo para servir. Já disse alguém que “ser feliz é sentir-se útil”. Lembro-me agora de um letreiro que vi num caminhão: “Quem não vive para servir, não serve para viver”. Admiro muito aqueles que vivem preocupados e ocupados com os problemas dos outros. Quem age assim não sabe o que é tédio, não pensa em suicídio, não se angustia, não adoece. Não seja solitário, seja solidário.

Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras.
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