Conversando com Estátuas

Quando viajo ao estrangeiro, tenho a mania de visitar estátuas de grandes personalidades, sobretudo artistas. Talvez poucos turistas façam isso. Mas eu gosto de ver aquelas esculturas de pessoas célebres.

Em Viena, conversei em silêncio com a estátua (estátua ou busto?- não me lembro bem) do grande Mozart, rodeado de canteiros e de silêncio. Na mesma cidade, visitei o carrancudo Beethoven, numa praça. E naquele momento parecia ouvir as notas iniciais de sua popular Quinta Sinfonia.

Mas a estátua que mais ficou na minha lembrança foi a do genial Rembrandt, em Amsterdam. A obra fica numa praça de belo gramado. Conversei com ela em silêncio.

Lá em Paris, estive visitando Joana D’Arc. Aliás, em matéria de estátuas, a capital francesa não deve a ninguém. Tudo ali cheira a história... Quando vou ao Quartier Latin, não deixo de me sentar na praça da venerável Sorbonne, onde está o busto de Augusto Comte, a quem se deve o “Ordem e Progresso” da nossa bandeira.

No Vaticano, na praça São Pedro, encantaram-me as estátuas dos doze apóstolos. Na Polônia, na velha Cracóvia, há uma igreja onde se vêem também os dozes apóstolos no alto do templo!
Estou me lembrando agora do grande Goethe, rodeado de árvores na ecológica e fria Heidelberg, na Alemanha.

Ora, direis, ver estátuas?! Sim, leitor, pode dizer que eu perdi o siso, parodiando o poeta Olavo Bilac. Só não gosto de ver os bustos e as estátuas dos fazedores de guerra, dos donos do poder. Mesmo assim não deixo de contemplar a do almirante inglês Nelson, lá no alto, na praça Tralfegar Square, com seus leões de bronze...

É isso mesmo, devo assumir: eu converso com as estátuas!
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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