"Somos responsáveis pela Justiça"


(Milton Marques Júnior)

Para Platão, sintetizando, a Justiça é procurar fazer um bem que pode ser revertido em favor da comunidade, em favor de todos, o que significa abrir mãos de interesses individuais. Nesse aspecto, é melhor sofrer uma injustiça do que cometê-la.

Vinte anos sem e com João Cabral


(Sérgio de Castro Pinto)

A poesia de João Cabral de Melo Neto é tributária dos artistas plásticos aos quais louvou em poemas quase todos de extração metalinguística, questionando não só a linguagem pictórica dos artistas como também a sua própria concepção da fenomenologia poética.

"Um sol caindo em si"


(Humberto de Almeida)

Dias assim nada tem a ver – nem ouvir – com quem partiu ou morreu!

Tem dias que a gente se sente como partiu ou morreu. Hoje não. Hoje mais que nunca irei partir. Morrer? Ah, isso é outra coisa. Mas, por favor, agora não. E Ele, com certeza, me poupará desse vexame de morrer tão novo!

Viva as liberdades democráticas


(Carlos Romero)

Sempre defendi a liberdade, a democracia. Abaixo as ditaduras, sejam da direita, sejam da esquerda e viva o oxigênio da liberdade. Viva a democracia, que com todos os seus erros, ainda é o regime que dignifica o homem. E está aí o muro de Berlim demolido, está aí a Cortina de Ferro destruída. Mil vezes o rosto alegre de um estadista eleito pelo povo do que a carranca de um Stalin, de um Hitler ou a barba de um Fidel.

Insights de um pensador


(Walter Galvão)

O que nos motiva a servir? O próximo? O enlace moral construído pela consciência da necessidade da vida produtiva em comunidade?

Evoco então “Discurso da servidão voluntária”. Há uma pergunta que não quer calar nesta obra clássica de Étienne de La Boétie lançada em 1571. Queremos servir porque na verdade queremos mandar? A ambição é que nos motiva? Há no filme muitos lances a respeito desse dilema.

José Alberto Kaplan, indomável "severino"


(Ana Elvira Steinbach Torres & Germano Romero)

J. A. Kaplan, compositor, maestro, pianista, professor e escritor (nosso Kaplito) era naturalizado brasileiro, como também cidadão paraibano, da sociedade paraibana, e sua obra obviamente reflete toda a intertextualidade entre sons latinos, nordestinos, etc, outros sons a desvendar…

Nasceu em Rosário, Argentina, mas ao se mudar para a Paraíba, aqui virou um "severino", e fez nesse lugar a sua vida, a sua família (de lá e de cá) e amizades, a sua obra, a sua carreira, a sua história.

A denúncia social na releitura de A Bagaceira


(Odilon Ribeiro Coutinho)

A largueza de abertura do ângulo de visão crítica de Ângela Bezerra de Castro se configura no denso ensaio de análise literária que é "Releitura de A Bagaceira".

Percorrendo os itinerários, atalhos e desvios da Fortuna Crítica do livro clássico de José Américo, a ensaísta constata que "interpõem-se — não raramente — entre o leitor e o romance, conclusões "críticas" e "verdades" históricas desnorteadoras. "Críticas" e "verdades" estranhas ao texto. Que obscurecem o projeto poético... Mas que se vão repetindo, em alguns casos, desde a publicação do romance...

Vira-latas nas letras


(Sérgio de Castro Pinto e Carlos Romero)

URBANO
(Sérgio de Castro Pinto)

ah estes cães vira-latas
que andam determinados
pelas ruas da cidade
e as conhecem palmo a palmo
na palma das patas
nas antenas do faro
na ponta da língua que
dobra e desdobra
as esquinas
de cor e salteado

Paixão


(Cristina Porcaro)

Você já tentou abrir a tela vazia do seu computador e se determinar a escrever qualquer coisa, algo simples, coloquial, besteiras de amor, paixão ou olhares que lhe fugiram?

Não é tão simples assim. Você escreve, apaga, torna a escrever, apaga e nestes infinitos gestos vão-se os minutos, os segundos e acaba a primeira hora.

Nem todas as belezas apaixonam


(Miguel de Cervantes)

O céu me fez formosa, dizeis, e de tal maneira que minha formosura vos leva a me amar sem resistência, e pelo amor que me mostrais, dizeis e até quereis que eu seja obrigada a vos amar. Eu sei, com o natural entendimento que Deus me deu, que tudo o que é belo pode ser amado; mas não compreendo que, pela razão de ser amado, quem é amado por belo tenha obrigação de amar quem o ama.