Quarta, quem sabe eu vá...


(Alessandra Gurgel)

Já subi e desci ladeiras em Olinda, me perdi na Sé e me encontrei com Elefantes e Pitombeiras nos Quatros Cantos onde beijei na boca de Alçeu com gosto de cajú e manga.

Brinquei o melhor Carnaval da minha vida em Tiradentes - MG. Dancei num chão de areia grossa onde se esparramava mais o corpo do que provavelmente se dançava, ali no centrão de Salvador onde a Praça Castro Alves é do povo e tem um cheiro novo. Onde subi praia da Barra acima com o joelho bichado, depois de um pulo mal dado numa quarta-feira de fogo, e me via agora como pipoca, pois fui sair da corda quando me disseram que bom era ver o Ilê, logo ali concentrado, e depois sentir o tamanho das mãos dos Filhos de Gandi.

O sol da meia-noite


(Gonzaga Rodrigues)

Um romance que sempre me persegue e que é contado o dia em que não me vejo nele é “Bolsos vazios”
de Allyrio Wanderley. Quando menos espero, estou como Assuero, um de seus personagens mais fortes, comprando o bilhete ou arriscando na versão atual da loteria, que representava o único sol promissor por entre as sombras desalentadoras do mundo de Cimaldo, o protagonista do romance. Mundo em que muitos apostam todas as fichas na cidade grande, como o próprio Allyrio, e terminam de almas retirantes como particularmente me sugere, agora, a visão física dos afogados na enxurrada paulistana.

Cavernas e Galáxias


(Sandra Raquew Azevedo)

Há dez anos eu estava prestes a concluir uma etapa importante da vida, meu doutorado. E para escapar da angústia da pressão interior, depois de um dia de trabalho, eu ficava navegando na internet olhando lindas paisagens. E assim me deparei com uma fotografia da pequena cidade baiana de Mucugê. No dia seguinte falei para o meu filho: “vamos para Mucugê?”. Então com 7 anos me perguntava: “o que é isso mamãe?”. Respondia: um lugar lindo!!!!!!

"3 jóias de Vida Aberta"


(W. J. Solha)

Terás,
algum dia,
aristocrata,
borboleta de verdade de
gravata?


quem sabe se cancele,
na tua sala,
a cabeça do antílope morto à bala,
e surja,
ali,
um Botticelli!

O refúgio das bibliotecas


(José Nunes)

A Grécia Antiga foi conquistada pelos romanos com o uso da espada, mas este povo espezinhado venceu seus opressores com sua inteligência, pois tinha a cultura como principal arma. Para chegar à vitória silenciosa, o livro se sobrepõe às catapultas, às espadas, aos canhões e ao muque agressor.

Quando Nero destruiu a Biblioteca de Alexandria, imputou aos cristãos esse crime, numa tentativa de incriminá-los. Os ditadores não aceitam a cultura como alimento para a alma, porque sabem que podem destruir o corpo, mas nunca o que está armazenado na mente.

Revolução Pacífica e Silenciosa


(Milton Marques Júnior)

Já conhecemos um pouco o perfil do monsenhor Myriel Bienvenu, bispo de Digne. Na criação de Victor Hugo, para Os Miseráveis, mais do que um justo, o monsenhor era um santo, ainda que assim não se considerasse, claro.

Criando duas vacas, na nova morada – o antigo hospital, que já não comportava os doentes da cidade, os quais ele alojou no palácio do bispo, por ter mais espaço do que ele precisava –, monsenhor Myriel destinava metade do leite diário ordenhado para os doentes, com a consciência de que pagava, assim, o seu dízimo – “Je paye mon dîme” (Parte I, Livro I, Capítulo VI).

Love you, London London!


(Ana Adelaide Peixoto Tavares)

Sempre fui apaixonada por Londres. Por ter estudado Inglês desde sempre; por adorar os Beatles; Outras tantas referências dos anos 70. Já fui lá algumas tantas vezes, continuo apaixonada, tenho irmã que mora no País de Gales há mais de 30 anos e agora dois sobrinhos morando e trabalhando em Londres. Fora alguns amigos, poucos. Mas bons.

Mais de oitenta, acredite!


(Gonzaga Rodrigues)

É possível que, a pedido de Petrônio Souto, as duas ladeiras que separam Alagoa Nova de Areia venham a ser transformadas em estrada lustrosa e lisa da marca João Azevedo. Para isso, meu prestígio e cocô de louro se equivalem. Desde Assis Camelo em sua primeira legislatura, ele no poder, fazendo carreira ao lado de Pedro Gondim, de João Agripino, de Ernani Sátiro, de Ivan Bichara e de Tarcísio Burity que fazemos fé nessa estrada, que só agora vem aparecer em linha verde no mais novo mapa do DER. Linha verde, nas legendas, quer dizer “implantada”. Dr. Carlos Pereira de Carvalho e Silva me avisara.

"Doce brincadeira de ser avô"


(Márcio Roberto Soares Ferreira Júnior)

Ele o tomou nos braços com a voracidade de um sedento. Sua sede não era de água, tampouco de pão.

Por não poder enxergar, quis sentir. Sentir a vida, ouvir o coração do infante em seu compasso binário.

Na verdade, o que ele desejava era transferir amor, trocar carinhos, demonstrar bem querer, nem que para isso tivesse de se desamarrar da velha sisudez.

Victor Hugo Espírita


(Milton Marques Júnior)

Pela voz do Monsenhor Myriel Bienvenu, Bispo de Digne e personagem de Os Miseráveis, o escritor Victor Hugo mostra um pouco da sua faceta espiritualista e, diria eu, espírita, pois muitas são as passagens dentro desse monumental romance que apontam para esta convicção. Eis um dos exemplos do pensamento inquestionável desse caráter do romancista e poeta, em tradução nossa: